Poucas palavras exprimem melhor a temporada do Portsmouth que o verbete ‘desespero’. O clube do sul da Inglaterra se encontra em sua pior crise ao longo dos 111 anos de história. A situação vai tão além de crise técnica e/ou treinador que qualquer análise sobre a temporada dos jogadores e dos treinadores (Paul Hart, até a 13ª rodada, e Avram Grant, da 14ª em diante) é injusta. Não há a menor condição de se trabalhar no Fratton Park hoje.
A começar pela base: o time, que teoricamente teria dinheiro, já está com o seu quarto dono ao longo da temporada: Alexandre Gaydamak, Sulaiman Al-Fahim, Ali Al-Faraj e Balram Chainrai. Esse último, atual dono, já procura um novo comprador. Parece piada, mas é verdade: o Pompey pode ter um quinto dono já na atual temporada. Como esperar resultados dentro de campo assim?
Depois, a dívida que o clube tem com outras equipes, nas quais se incluem Chelsea, Tottenham, Watford, Udinese e Lens. Em janeiro desse ano, a Premier League reteve o dinheiro dos direitos de televisão do clube, a fim de garantir o saldo dessas dívidas. No mês anterior, o Portsmouth já havia atrasado o pagamento dos seus jogadores e funcionários, pela segunda vez no ano. A situação ficou tão constrangedora que até o site do clube ficou fora do ar, por falta de pagamento à empresa que administra o portal.
Agora, no início dessa semana, outra bomba explodiu por lá: o Supremo Tribunal de Londres determinou que o Portsmouth tem sete dias para sanar suas dívidas com a Receita Federal da Inglaterra, ou o clube entrará em concordata. Se isso acontecer, além de perder o comando administrativo, o time em si também será punido com a perda de nove pontos. Mesmo com 16 pontos até aqui já não está fácil imaginar que irá se salvar; se perder nove pontos então, aí cumprirá tabela pelas próximas doze rodadas.
O time em si, nome por nome, não é o pior da Premier League. James é goleiro da seleção; Finnan tem várias temporadas de Liverpool; Belhadj é um dos grandes nomes da lateral esquerda no futebol inglês; O’Hara, Yebda e Kevin-Prince Boateng formam um bom meio campo, e Aruna Dindane e Piquionne são atacantes de relativo valor. Claro que é um time, sim, para brigar contra o rebaixamento, mas, em condições normais, a lanterna isolada não se justifica.
Pra finalizar, o Portsmouth cometeu um erro similar ao do Leeds United. Pra quem não se lembra, na temporada 2000/01, o Leeds chegou até as semifinais da Liga dos Campeões da Europa, com um elenco repleto de grandes nomes, como Nigel Martyn, Ian Harte, Jonathan Woodgate, Harry Kewell, Lee Bowyer e Alan Smith, e com os reforços de Rio Ferdinand, Dacourt, Robbie Keane e Viduka. Foram derrotados pelo Valencia e, daí em diante, o time foi ladeira abaixo, muito por conta do alto valor desse time. Hoje luta na terceira divisão para conseguir o acesso.
O Pompey, de algumas temporadas pra cá, trouxe jogadores renomados, como David James, Sol Campbell, Glen Johnson, Kanu, Milan Baros, Defoe, etc. É bem verdade que ganhou a FA Cup da temporada 2007/08, seu primeiro título de real importância desde 1950. Mas, financeiramente, o clube quebrou.
Resta saber se também tomará o mesmo caminho do Leeds.
No sábado, uma partida que, para os torcedores do Portsmouth, vale como um título: o clássico diante do Southampton, fora de casa, pela FA Cup.
Time-base(4-3-1-2): David James; Finnan, Ben-Haim, Marc Wilson e Belhadj; Yebda, O’Hara e Michael Brown(Mokoena); Kevin-Prince Boateng; Aruna Dindane(Kanu) e Piquionne.
Artilheiros na Premier League:
Aruna Dindane - 5 gols
Frederic Piquionne - 3 gols
Nadir Belhadj - 2 gols
Curiosidade: Se perder os nove pontos por entrar em concordata, o desafio do Pompey passa a ser o de não ostentar o nada honroso título de pior time da história da Premier League. O atual 'campeão' é o Derby County, que na temporada 2007/08 conquistou simpáticos 11 pontos em 38 jogos.
Próximos compromissos:
13/02 FA Cup - Southampton vs.
20/02 Premier League - vs. Stoke City
27/02 Premier League - Burnley vs.
06/03 Premier League - vs. Chelsea
09/03 Premier League - vs. Birmingham
15/03 Premier League - Liverpool vs.
Postado por André Renato às 03:33 3 comentários
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Análise da semana: E os jogos grandes, Arsenal?
28 de novembro de 2009, o então terceiro colocado Arsenal receberia a visita do líder Chelsea, pela 14ª rodada. Era o jogo para fazer o time de Arsène Wenger chegar de vez na real disputa pelo título. Resultado: derrota por 3 x 0.
31 de janeiro de 2010, o então terceiro colocado Arsenal receberia a visita do vice-líder Manchester United, pela 24ª rodada. Era o jogo para fazer o time de Arsène Wenger assumir a segunda colocação e ficar a três da liderança. Resultado: derrota por 3 x 1.
Os Gunners perderam apenas duas partidas atuando no Emirates Stadium, mas nada menos do que contra seus dois principais rivais na luta pelo título. Naturalmente não se tem obrigação de derrotar Chelsea ou Man Utd em circunstância alguma, mas do mesmo jeito que a parada é difícil para o Arsenal, também é difícil para os dois, ainda mais como visitantes, e se saíram bem.
Então, afinal, o que falta ao Arsenal?
Não cairei no clichê de resumir tudo à falta de experiência do elenco, até porque o time não é tão inexperiente como se prega por aí; Almunia, Sagna, Gallas, Vermaelen, Clichy, Fabregas, Arshavin e Eduardo da Silva já têm bons quilômetros rodados no futebol. O problema é que seu grande craque, o espanhol Cesc Fabregas, é justamente o mais novo dos citados, com apenas 22 anos.
Mas algo contraditório acontece por lá: o melhor ataque da Premier League tem problemas ofensivos, a ponto de sequer ter alguém lutando pela artilharia (Fabregas, o artilheiro do time, tem 11 gols). Desde a lesão de Robin van Persie, em novembro de 2009, o Arsenal passou a atuar sem um centroavante de ofício – coisa que nem Van Persie era, mas se adaptou bem na função. Wenger optou por tentar fazer de Arshavin esse jogador, mas ainda que não tenha ido mal, não é onde o russo rende mais. E aí há uma grande, talvez a maior, diferença para os dois rivais, que contam com belíssimas temporadas de Didier Drogba e Wayne Rooney.
Esperava-se do treinador francês um nome para o ataque na janela de janeiro. Especulou-se Edin Dzeko, do Wolfsburg, e Marouane Chamakh, do Bordeaux, e no fim quem veio foi o zagueiro Sol Campbell. Não trazer um centroavante pode ter sido fatal para as pretensões na Premier League, pois convenhamos, a distância de Eduardo da Silva ou Bendtner para Drogba e Rooney é maior do que a do Arsenal para a liderança do campeonato.
Domingo há uma chance de contrariar o post: enfrenta o Chelsea, no Stamford Bridge. Em caso de vitória dos Blues, o Arsenal deve se preocupar exclusivamente com Champions League.
Time-base(4-3-3): Almunia; Sagna, Gallas, Vermaelen e Clichy; Song-Billong, Fabregas e Diaby(Denílson); Rosicky, Arshavin e Eduardo da Silva
Artilheiros na temporada:
Cesc Fabregas - 14 gols
Andrey Arshavin - 9 gols
Robin van Persie - 8 gols
Thomas Vermaelen - 7 gols
Próximos compromissos:
07/02 Premier League - Chelsea vs.
10/02 Premier League - vs. Liverpool
17/02 Champions League - Porto vs.
20/02 Premier League - vs. Sunderland
27/02 Premier League - Stoke City vs.
Postado por André Renato às 01:35 6 comentários
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Análise da semana: decretado o fracasso
A coluna de hoje tinha outros planos, mas no dia em que oficialmente o Manchester City aceitou emprestar Robinho ao Santos, não tem como deixar de falar disso.
A transferência mais cara do futebol inglês (cerca de 40 milhões de euros), o “novo” jogador do Peixe teve um início interessante no City, estreando com gol, inclusive. Sua primeira temporada foi de razoável pra boa, mas já se notava um jogador sem comprometimento tático, havia partidas em que Robinho parecia estar fazendo um favor ao clube. Apesar dos 13 gols, acabou a temporada em baixa.
Veio a atual temporada e as chegadas de Tevez, Roque Santa Cruz e Adebayor pareciam indicar que Robinho perderia mais espaço, já que lutar pela vaga de titular não combina com a sua personalidade acomodada. Porém, como mostra a lista abaixo, Robinho começou a temporada como titular:
1ª rodada – substituído
3ª rodada – substituído
Carling Cup – substituído
4ª rodada – substituto não utilizado
14ª rodada – substituído
Carling Cup – substituto não utilizado
15ª rodada – substituído
16ª rodada – entrou no 2º tempo
17ª rodada – substituído
18ª rodada – substituto não utilizado
(Saída de Mark Hughes e chegada de Roberto Mancini)
19ª rodada – substituído
20ª rodada – entrou no 2º tempo
21ª rodada – entrou no 2º tempo
22ª rodada – entrou no 1º tempo e substituído no 2º tempo
Carling Cup – substituto não utilizado
FA Cup – substituído (marcou um gol)
- O vazio entre a 4ª e 14ª rodada se deve a uma lesão do atacante.
Dois jogadores foram, digamos, cruciais para a saída de Robinho: Tevez e Bellamy. Ambos demonstram o oposto do brasileiro: vontade, entrega, honra à camisa. A torcida não se importa de uma partida ruim deles, errando passes, finalizações, pois não falta luta. À Robinho faltou futebol e mostrar vontade de querer lutar por vaga no time.
Há uma frase que virou certo clichê entre brasileiros: "O talento de Robinho é indiscutível". Aí vai do conceito de cada um sobre o que realmente é ter talento pra ser jogador de futebol. Se acreditar que ter talento é passar o pé sobre a bola, fingir que vai pra um lado e ir pro outro, tudo bem, o talento é indiscutível então. Agora, se está no conceito de jogador de futebol um atleta que é profissional, não força a barra pra sair dos seus clubes (como na saída do próprio Santos), que aceita ser reserva, que entende a importância tática de uma partida, então é um talento pra lá de discutível. Robinho não é centroavante de área, estilo Adriano, que se aceite que não ajude a marcar.
Sua volta ao futebol brasileiro é uma grande sacada pra não perder ainda mais sua vaga na Copa do Mundo, pois pra se destacar no Campeonato Paulista não precisa ter lá muita disciplina tática e não terá o "incômodo" de, se jogar mal, ir parar no banco.
Fica a pergunta: como a torcida do Manchester City irá receber Robinho quando seu contrato de empréstimo expirar, no dia 4 de agosto? Ainda haverá clima pra que continue nos Citizens na próxima temporada?
Postado por André Renato às 21:46 10 comentários
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Análise da semana: O que falta ao Tottenham?
Há exatas duas semanas, foi escrita aqui uma coluna chamada “Mais do que três pontos”, contextualizando a vitória do Liverpool sobre o Aston Villa. A análise de hoje poderia ter o mesmo nome, só que com conotação negativa: o Tottenham perdeu muito além do que três pontos diante do mesmo time liverpuldiano, nesta quarta-feira.
O jogo foi válido pela 21ª rodada, e os Spurs chegaram ao Anfield Road com quatro pontos de vantagem sobre os Reds. Ao final da partida, era apenas um ponto que separava o agora sexto colocado Liverpool para o quarto colocado Tottenham. Os dois gols de Kuyt fizeram reacender um alerta em White Hart Lane: a história vai se repetir?
O alerta não vale para as duas últimas temporadas, onde o time londrino fez campanhas de recuperação e terminou no meio da tabela, mas nas duas temporadas anteriores o Tottenham esteve muito próximo de conquistar a vaga na Champions League. A mais traumática delas foi, sem dúvida, a da temporada 2005/06, quando iniciou a última rodada à frente do Arsenal, na quarta colocação, e perdeu a vaga ao ser derrotado pelo West Ham, enquanto via seu rival bater o Wigan e ficar com o último posto na competição continental.
O elenco é forte como há muito tempo não se via, não é fácil apontar brechas num time que costuma ter no banco jogadores como Gareth Bale, David Bentley, Jermaine Jenas, Robbie Keane e Roman Pavlyuchenko - sem contar Ledley King e Woodgate, chegadinhos num departamento médico, mas titulares em condições normais. E ainda parece ter conseguido resolver seu crônico problema de goleiros, pois Gomes, enfim, se firmou.
Mas parece faltar um algo a mais no time de Harry Redknapp, especialmente quando enfrenta o ‘Big Four’. Ao todo, contando Copa da Liga Inglesa, são cinco derrotas e uma vitória – contra o Liverpool, na estreia da EPL. E, pra piorar, o Tottenham tem uma seqüência simplesmente cruel entre a 34ª e 36ª rodada: Arsenal e Chelsea, em casa, e Manchester United, fora.
É surreal imaginar que os Spurs chegarão na 34ª rodada matematicamente classificados pra Liga dos Campeões, ou seja, se passar essa trinca de jogos sem pontuar, dificilmente vai conseguir. Além disso, visita outro concorrente direto, o Manchester City, na 29ª rodada.
Falta ao Tottenham aquela vitória inesperada, um triunfo fora de casa contra um gigante, um jogo que façam todos olharem-o com o respeito que merece. Chances de mudar a impressão vai haver. De confirmar, também...
Time-base(4-4-2): Gomes; Corluka, Bassong(Ledley King), Michael Dawson e Assou-Ekotto; Huddlestone, Palacios(Jenas), Kranjcar e Lennon; Defoe e Crouch.
Artilheiros na temporada:
Jermain Defoe – 16 gols
Robbie Keane – 9 gols
Peter Crouch – 8 gols
Niko Kranjcar – 6 gols
Curiosidade: Na mesma altura da temporada passada, o Tottenham dividia a lanterna da Premier League com Blackburn, Middlesbrough, Stoke City e West Bromwich, todos com 21 pontos. Pelo saldo, era o 16º.
Próximos compromissos:
23/01 FA Cup – vs Leeds United
26/01 Premier League – vs Fulham
30/01 Premier League – Birmingham vs
06/02 Premier League – vs Aston Villa
10/02 Premier League – Wolverhampton vs
21/02 Premier League – Wigan vs
Postado por André Renato às 19:27 5 comentários
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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Análise da semana: Sunderland precisa mudar mentalidade
O termo é recorrente, mas alguns times ingleses lutam contra a fama de "ioiô", clubes chegados num acesso e rebaixamento, acesso e rebaixamento, e o Sunderland não vinha fugindo disso na década: após ficar de 1999 a 2003 na Premier League, o Sunderland colecionou dois acessos e dois rebaixamentos - incluindo aí a pífia campanha de 2005/06, tendo quebrado o recorde negativo de pontos ao fazer apenas 15. Seu último acesso foi em 2007, e o objetivo de não cair novamente na temporada 07/08 foi cumprido com uma campanha que culminou com a 15ª colocação. O segundo objetivo seria começar a buscar a regularidade, e de certa forma os Black Cats conseguiram isso.
Porém, para a temporada 08/09, o Sunderland investiu pesado em nomes como Anton Ferdinand, Steed Malbranque, Djibril Cissé, Calum Davenport, Pascal Chimbonda e El Hadji Diouf. Para muitos, era dos times 'outsiders' o que tinha mais chances de surpreender. Surpreendeu, mas de forma negativa: com todo o investimento e sob o comando de Roy Keane (até a 15ª rodada) e Ricky Sbragia (da 16ª em diante), o Sunderland conseguiu terminar uma posição abaixo da temporada anterior, sendo a grande decepção da Premier League.
Pra temporada 2009/10 outros nomes fortes chegaram: Lorik Cana, Darren Bent, Lee Cattermole, Paulo da Silva, Michal Turner, Fraizer Campbell e John Mensah, além da chegada do treinador Steve Bruce, que havia levado o Wigan a uma surpreendente campanha na temporada anterior. "Agora vai", diziam.
Passadas 21 rodadas, o Sunderland ocupa uma modestíssima 11ª colocação, e não vence há sete partidas pela Premier League. Dos reforços, Bent foi quem realmente empolgou até agora, são 13 gols e vice-artilharia do campeonato. Mas a equipe está devendo muito ainda. O time titular, ao menos nos nomes, não deve em nada a Aston Villa ou Everton. Kieran Richardson e Malbranque são wingers que teriam vaga na maioria dos times da Liga Inglesa, enquanto Bent é o preferido de muitos para ser o "camisa 9" da Inglaterra na Copa do Mundo. E ainda há o valorizado Kenwyne Jones, alvo de especulações de transferência.
Fato é: a permanência na Premier League é objetivo pequeno para o elenco (e até para o tamanho do Sunderland, um dos times mais tradicionais da Inglatera) dos Black Cats, mas a mentalidade conformada de apenas evitar a despromoção ainda parece presente no clube.
Time-base(4-4-2): Fulop; Bardsley, Anton Ferdinand, Michael Turner e McCartney; Cana, Reid, Malbranque e Richardson(Henderson); Kenwyne Jones e Darren Bent.
Artilheiros na temporada:
Darren Bent - 13 gols
Kenwyne Jones - 6 gols
Andy Reid - 4 gols
Curiosidade: O Sunderland marcou na Premier League 28 gols; 19 só da dupla Bent-Jones. Além disso, a equipe lidera o ranking de time mais indisciplinado, com 44 cartões amarelos e 4 vermelhos.
Próximos compromissos:
16/01 Premier League - Chelsea vs
23/01 FA Cup - Portsmouth vs
27/01 Premier League - Everton vs
01/02 Premier League - vs Stoke
06/02 Premier League - vs Wigan
09/02 Premier League - Portsmouth vs
Postado por André Renato às 21:35 4 comentários
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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Análise da semana: mais do que três pontos
O título não tem nada de original, mas retrata bem a situação vivida no dia 29 de dezembro, na cidade de Birmingham, onde o quarto colocado, Aston Villa, receberia o sétimo, Liverpool. Uma derrota do time de Rafa Benítez e a equipe se veria a oito pontos da Champions League, restando menos de um turno para a recuperação. A expectativa era de um jogo aberto, com o Villa tentando usar do fator casa, e o Liverpool de sua grandeza e história em partidas desse porte.
A aberta e ofensiva partida da qual todos esperavam, não aconteceu. A ausência de Ashley Young fez dos comandados de Martin O'Neill um time previsível, ainda que de intensa troca de posições entre os wingers James Milner e Stewart Downing. Em contrapartida, com Gerrard bastante próximo de Fernando Torres, a tendência dos Reds era de buscar jogo em torno de seu capitão, centralizando todas as ações. Em resumo: um jogo amarradíssimo.
Ousarei cometer um devaneio: na segunda etapa, a partida tomou ares de Libertadores. De nada lembrava uma típica partida de Campeonato Inglês, com toques rápidos, verticais e jogadas pelas extremidades, mas sim um jogo de marcação absoluta, intensidade enorme, com O'Neill prestes a infartar no banco de reservas, tamanho seu envolvimento na partida. Não havia espaços ou falhas defensivas.
Até que...
... Warnock, ex-Liverpool, recupera uma bola no meio de campo e tenta o passe para Dunne, aos 92:00 cravados. O passe sai curto e o zagueiro irlandês escorrega no lance; Kuyt retoma, toca para Benayoun, que divide com Agbonlahor e a bola sobra, livre, aos 92:10, para... Fernando Torres.
Pronto, ares de Premier League reestabelecido: Niño Torres decidindo uma partida para os Reds. O chute cruzado, no canto direito de Brad Friedel, deixou o Liverpool a quatro pontos da zona de Champions League, uma diferença tangível quando em questão está um time que nunca caminhará sozinho.
Time-base(4-2-3-1): Reina; Glen Johnson, Carragher, Agger e Insúa; Mascherano e Lucas(Aquilani); Kuyt, Gerrard e Fábio Aurélio; Fernando Torres.
Artilheiros na temporada:
Fernando Torres - 12 gols
Steven Gerrard, Dirk Kuyt e Yossi Benayoun - 5 gols
Curiosidade: Na mesma altura da temporada passada (20ª rodada), o Liverpool liderava com 45 pontos. Hoje, se encontra apenas em sétimo, com 33. Mais: se algum torcedor dos Reds ainda cogita o título, é bom saber que na campanha do vice-campeonato da temporada passada foram conquistadas 25 vitórias, contra 10 da atual, ou seja, pra igualar o número de vitórias basta "apenas" vencer 15 dos últimos 18 jogos.
Próximos compromissos:
10/01 Premier League - vs. Tottenham
13/01 FA Cup - vs. Reading
16/01 Premier League - Stoke City vs.
23/01 FA Cup - Liverpool/Reading vs. Burnley
26/01 Premier League - Wolverhampton vs.
30/01 Premier League - vs. Bolton
Postado por André Renato às 05:28 4 comentários
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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Análise da semana: A grande campanha do Birmingham
Via de regra, em qualquer liga do mundo, não se espera de um time recém-promovido à primeira divisão nada além da permanência - exceções recentes feitas a Corinthians em 2009 e Vasco da Gama em 2010. Há um consenso, por razões financeiras, de que a Premier League é o campeonato mais difícil para uma equipe que acabou de subir conseguir permanecer na elite. Porém, na temporada 09/10, bastaram vinte rodadas para uma delas já ter se garantido: é o Birmingham, invicto há onze jogos, dono da oitava colocação.
Vale dizer que os Blues são um dos times que mais fazem jus a fama de "ioiô", tamanha a regularidade com que sobem e descem entre a primeira e segunda divisão: rebaixamento em 2005/06; promoção em 2006/07; rebaixamento em 2007/08 e promoção em 2008/09. E foi durante a campanha do rebaixamento na temporada 07/08 que o atual treinador do clube, o escocês Alex McLeish, assumiu o time.
E aqui já entra um dos motivos do sucesso: continuidade. A tendência natural de uma equipe despromovida é de mandar o treinador embora no dia seguinte, mas há algo nos dirigentes ingleses, de maneira geral, que falta a muitos dos seus companheiros brasileiros: a noção do tamanho do seu time. Para um time como o Birmingham, que tem como maior feito em seus 134 anos de história a conquista de uma singela Copa da Liga Inglesa - vencendo seu rival de cidade, o Aston Villa -, não era incomum um rebaixamento, pra sair "limpando" a comissão técnica e elenco.
Veio a temporada seguinte e a disputa da Championship, conquistando um acesso tranquilo, atrás apenas do campeão Wolverhampton. Com a base do acesso e alguns reforços pontuais, o Birmingham partiria para nova luta contra o rebaixamento na temporada seguinte. Do time vice-campeão permaneceram o goleiro Maik Taylor; os defensores Stephen Carr, David Murphy, Martin Taylor, Liam Ridgewell, Franck Queudrue e Stuart Parnaby; os meias Lee Bowyer, Sebastian Larsson, Gary McSheffrey, Damien Johnson, Lee Carsley, Keith Fahey e James McFadden; e os atacantes Cameron Jerome, Garry O'Connor e Kevin Phillips. Dezessete jogadores; uns mais, outros menos importantes. Bastava agora algumas contratações.
E os reforços vieram. O então inseguro goleiro Joe Hart veio de empréstimo do Manchester City e tomou conta da posição, deixando no banco o veterano Taylor; para a defesa a certeira contratação do jovem Scott Dann, vindo do Coventry City, além do equatoriano Giovanny Espinoza e do francês Grégory Vignal; para o meio campo, foi buscar Barry Ferguson, no Rangers, e o finlandês Teemu Tainio, emprestado pelo Sunderland, e a contratação do equatoriano Cristián Benítez, junto ao Santos Laguna, do México, que se adaptou de maneira surpreendentemente rápida.
O começo da campanha foi temerário: seis derrotas em nove jogos, e lá estava o Birmingham, novamente nas últimas posições - precisamente na 16ª colocação ao término da nona rodada. Mas veio a vitória diante do Sunderland, na rodada seguinte, e desde então o time do oeste da Inglaterra não sabe mais o que é perder: além da vitória citada, outras diante de Fulham, Wolverhampton, Wigan, West Ham, Blackburn e Stoke City, e empates diante de Manchester City, Liverpool, Everton e Chelsea.
Pra aumentar ainda mais o feito do clube, já são oito jogos repetindo a mesma escalação, mesmo no período de boxing day, onde fez um jogo no dia 26/12 e outro dois dias depois. É um time de heróis, como definiu Alex McLeish.
Sonhar com uma vaga na Liga Europa parece muito para um time como o Birmingham, mas, se no começo do campeonato alguém dissesse que o time estaria, na vigésima rodada, a quatro pontos da zona de classificação da Liga dos Campeões, também pareceria um sonho.
Time-base(4-4-2): Hart; Carr, Roger Johnson, Dann e Ridgewell; Lee Bowyer, Ferguson, Sebastian Larsson e McFadden; Cristián Benítez e Jerome.
Artilheiros na temporada:
Lee Bowyer - 6 gols
Cameron Jerome e Sebastian Larsson - 4 gols
Curiosidade: Ao mesmo tempo em que possui a segunda melhor defesa, com 18 gols sofridos, ao lado de Aston Villa e Manchester United e atrás do Chelsea (16 gols sofridos), tem o quarto pior ataque, com 20 gols marcados, ao lado de Blackburn e Hull City, à frente apenas de Portsmouth (18), Wolverhampton (17) e Stoke City (15).
Postado por André Renato às 08:30 0 comentários
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sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Análise da semana: A crise do West Ham
Gianfranco Zola assumiu o comando do West Ham em setembro de 2008, substituindo Alan Curbishley, na quinta rodada - pros padrões ingleses, uma troca de técnico precoce. Estreou vencendo o Newcastle por 3 x 1, com dois gols do seu compatriota Di Michele. Depois, venceu o Fulham, fora, e perdeu para o Bolton, em casa. Parecia a típica campanha de um time mediano, que vence jogos improváveis e perde pontos fáceis.
Mas o West Ham embalou, e terminou a temporada numa grande nona colocação. Além de tudo, a famosa 'fornada' de jogadores dos Hammers, que tem uma das melhores categorias de base da Inglaterra, dava novamente sinais de bons frutos, com os jovens Mark Noble, Junior Stanislas, James Tomkins e Jack Collison. Temporada otimista se avistava.
Até aqui, ledo engano. O clube do leste de Londres não vence há quatro jogos, e essa está longe de ser sua pior sequência na temporada: não venceu uma só partida entre a terceira e a décima terceira rodada e ocupa a penúltima colocação. Uma campanha frustrante, visto que o clube era apontado como candidato à Liga Europa, ainda que não fosse um dos favoritos.
O mês de janeiro será decisivo ao West Ham, que verá seus rivais perderem diversos jogadores para a Copa Africana de Nações, enquanto em seu elenco não haverá nenhuma baixa. E um reforço deve pintar em janeiro. Não, não é uma contratação, mas a vital volta de Carlton Cole, lesionado e ausente das últimas quatro partidas. Com ele em campo, as chances de embalar novamente aumentam, ainda que Zola precise mudar seus objetivos e pensar em fugir do rebaixamento apenas.
No dia 26 de dezembro acontece o tradicional boxing day na Premier League, com todos os jogos sendo realizados, e o fato curioso é o West Ham enfrentar o lanterna Portsmouth, mesmo adversário do último boxing day. As lembranças são excelentes para o time londrino, tendo vencido por 4 x 1, em pleno Fratton Park, casa do Pompey. Ouso dizer que, se perder, Gianfranco Zola fecha seu ciclo no Upton Park.
Time-base(4-4-1-1): Green; Faubert, Tomkins, Upson e Ilunga; Radoslav Kovac, Parker, Noble e Collison; Diamanti; Guille Franco(Carlton Cole).
Artilheiros:
Carlton Cole - 7 gols
Alessandro Diamanti e Junior Stanislas - 4 gols
Guille Franco - 3 gols
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